CARTAS



cartas que ela não te dirá

diante dela o sopro do tempo
nos seus olhos poços verdes vastidões
sonhos esmaecidos envolviam-lhe o corpo 
um vestido de talhe impecável 
perfeitamente ajustado nenhum deslize

como se desde sempre alguém a soubesse 
e em respeito ou merecimento o houvesse encomendado; chegara a hora de usá - lo, sabia
(estranhamente nenhum espinho lhe doía mais) 
em doçura serena aceitação não contestou

entre frestas um sorriso constante a iluminava
passou a confeccionar ramalhetes 
cerzia esperanças com as folhas acobreadas
que o tempo ao colo por destino lhe trazia
o mundo girava em única estação

prometeu que nunca mais choraria